segunda-feira, 19 de maio de 2014
Uma compreensão ALÉM dos limites da lingua
A LINGUÍSTICA TEXTUAL E A ANÁLISE DISCURSIVA: UMA COMPREENSÃO ALÉM DOS LIMITES ESTRUTURAIS DA LÍNGUA
Os estudos da linguagem começaram a focalizar, de um modo estrutural, as unidades formadoras da língua.
Precisamos, primeiramente, entender que o texto é uma junção de conceitos como língua, gênero, discurso, enunciado, co(n) texto etc. atuando simbioticamente.
Outro ponto é o diálogo que se cria entre autor-leitor no ato da leitura, o que faz com que o discurso, advindo do texto, seja reconstituído semanticamente.
Nos estudos contemporâneos da linguagem já se faz mister a compreensão de que a língua, além de estrutura, é uso e sentido.
Analisar os contextos históricos através dos textos, juntamente com as comparações da língua em cada momento. “uma sequência pronominal ininterrupta” (Harweg,1968) “sequência coerente de enunciados” (Isenberg, 1970).
Pedro foi ao cinema. Ele não gostou do filme.
Não há uma simples substituição do nome pelo pronome. Uso do pronome – instruções de conexão.
Outros fenômenos “transfrásticos”: a pronominalização, a seleção dos artigos(definido e indefinido), a concordância dos tempos verbais, a relação tópico-comentário e outros.
Relação entre uma sequência e outra sem a presença de um conector.
(1) Não fui à festa de seu aniversário: passei-lhe um telegrama.
(2) Não fui à festa de seu aniversário: estive doente.
(3) Não fui à festa de seu aniversário: não posso dizer quem estava lá.
Elaboração de gramáticas textuais:
não considerar o texto apenas como uma simples soma ou lista dos significados das frases que o constituem.
Para saber mais:
http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao12/ic_01.php
domingo, 18 de maio de 2014
Artigo - Estratégias Pragmáticas de Processamento Textual
Olá pessoal,
Para ampliar nossos conhecimentos e opiniões sobre a Análise Transfrástica, trazemos o artigo de Ingedore G. Villaça Koch, intitulado Estratégias Pragmáticas de Processamento Textual. Destacamos o tópico A Noção de Contexto, confira:
Na fase inicial das pesquisas sobre o
texto, que se tem denominado a fase da análise transfrástica, o contexto
era visto como o entorno verbal, ou seja, o contexto. O texto era
conceituado como uma seqüência ou combinação de frases, cuja unidade e “coerência”
seria obtida através da reiteração dos mesmos referentes ou do uso de elementos
de relação entre segmentos maiores ou menores do texto. Paralelamente, os pragmaticistas
chamavam a atenção sobre a necessidade de se considerar a situação comunicativa
para a atribuição de sentido a elementos textuais como os dêiticos e as expressões
indicas de modo geral.
Com a Teoria dos Atos de Fala e a
Teoria da Atividade Verbal, a Pragmática volta-se para o estudo e a descrição
das ações que os usuários da língua, em situações de interlocução, realizam
através da linguagem, considerada está, portanto, como atividade intencional e
social, visando a determinados fins.
A simples incorporação dos
interlocutores, porém, ainda não é suficiente, ‘à que eles se movem no
interior de um tabuleiro social, que tem suas convenções, suas normas de
conduta, que lhes impõe condições, lhes estabelece deveres e lhes limita a liberdade.
Além disso, toda e qualquer manifestação de linguagem ocorre no interior de determinada
cultura, cujas as tradições, cujos usos e costumes, cujas rotinas
devem ser obedecidas e perpetuadas.
Finalmente, outro tipo de contexto -
que é, na verdade, o mais importante – precisa ser levado em conta- o contexto
cognitivo. Para que duas ou mais pessoas possam compreender-se mutuamente,
é preciso que seus contextos cognitivos sejam, pelo menos, parcialmente
semelhantes. Em outras palavras, seus conhecimentos enciclopédico, episódico,
procedural, macro- e superestrutural ou esquemático devem ser, ao menos em
parte, compartilhados (visto que é impossível duas pessoas partilharem
exatamente os mesmos conhecimentos). Numa interação, cada um dos parceiros traz
consigo sua bagagem cognitiva - ou seja, já é, em si mesmo, um contexto.
A cada momento da interação, esse contexto é alterado, obrigando, assim, os parceiros
a se ajustarem aos novos contextos que se vão originando sucessivamente (veja-se
a noção de “footing”, de Goffman, 1981). Os mal-entendidos surgem, em grande
parte, de pressuposições errôneas sobre o domínio de certos conhecimentos por parte
do(s) interlocutor(es). Poder-se-ia, inclusive, postular que o contexto
cognitivo engloba todos os demais tipos de contexto, já que tanto o contexto,
como a situação comunicativa, imediata ou mediata, bem como as ações
comunicativas e interacionais realizadas pelos interlocutores passam a fazer
parte do domínio cognitivo de cada um deles, isto é, têm uma representação em
sua memória, como acontece também com o contexto sócio-histórico-cultural.
Assim, ao adotarmos esta visão
ampliada do contexto, estaremos reabilitando a concepção de Pragmática como o
estudo da língua(gem) que leva em conta o contexto de produção.
Para acessar o artigo completo:
Artigo - Reflexões sobre o sujeito social e o sujeito ideológico
Olá pessoal,
Dando continuidade as nossas postagens no blog Análise Dramática, confira trechos do artigo Reflexões sobre o sujeito social e o sujeito ideológico, escrito por Lícia Maria Bahia Heine. Para acessar o artigo na integra, clique aqui.
O sujeito na análise
transfrástica e na construção de gramáticas
As diferentes fases da LT*, apesar de
terem um ponto de vista comum e seus imbricamentos que as unem entre si,
mencionando-se, a título de exemplo, o fato de debruçarem-se sobre o texto,
apresentam naturalmente traços a elas específicos que permitem o seu reconhecimento
enquanto fases distintas, embora devam, necessariamente, ser consideradas
dentro de um continuum que evita um olhar polarizado entre as mesmas. Na
verdade, elas revelam, principalmente, reflexões acuradas acerca do seu objeto
de estudo. É evidente que, ao focalizá-las, poder-se-ia ressaltar aspectos
substantivos sobre cada uma delas, mas, neste artigo, o foco recai sobre a
entidade “sujeito”, depreendido, em especial, a partir da concepção de língua,
que lhe é subjacente.
Ao longo do seu desenvolvimento, o
texto vem recebendo diferentes tratamentos: na análise transfrástica e na
construção de gramáticas, as duas primeiras fases da LT, o texto, de um modo
geral, é tido simplesmente como a unidade linguística mais alta, superior à
frase (Koch 2006:5), apenas um mero produto de codificação, com um foco de análise
nos aspectos formais. Este conceito de texto alicerça-se “na concepção de
língua, vista como um código, ou seja, como um conjunto de signos que se
combinam segundo regras e que é capaz de transmitir uma mensagem, informações
de um emissor a um receptor” (Travaglia 2001:21-23), e que, por outro lado,
corresponde à concepção de sujeito assujeitado, mas um sujeito assujeitado ao
sistema linguístico; por isso, tem-se um sujeito que não é livre, sendo preso e
limitado ao código linguístico (Koch 2006:10). Daí a explicação para o
tratamento da compreensão textual em determinados livros didáticos, que ainda
se pautam nessa concepção de língua, restringir-se a “exercícios que não passam
de uma descomprometida atividade de copiação” (Marcuschi 1996:63-82),
postulando, destarte, sem levar em conta a heterogeneidade alunos-leitores, uma
interpretação homogênea, pois o sentido esgota-se nas estruturas linguísticas,
realizadas numa folha de papel.
Vale a pena ressaltar que, “a linguística
textual, originalmente, se formou para tratar melhor de certos problemas que já
tinham aparecido na chamada linguística oracional” (Beaugrande 1997), ou seja,
os seus pesquisadores pretendiam desenvolver uma gramática transfrástica que desse
conta, por exemplo, da coesão como um fenômeno materializado numa folha de
papel, voltada mais precisamente para as relações anafóricas de cunho
gramatical. Esse procedimento de análise não podia ser diferente, porque o
texto era interpretado ora como “a unidade que ocupa, na hierarquia do sistema
linguístico, o próximo grau superior à oração”, ora como “uma sequência bem
formada de orações bem formadas” (Beaugrande 1997), respectivamente, no
estruturalismo e no gerativismo; lastro teórico que impelia forçosamente a
excluir o sujeito enquanto entidade co-autora, por exemplo, do processo de
construção do sentido.
*LT se refere a Linguagem Textual.
sábado, 17 de maio de 2014
Artigo - Linguística Textual e seus avanços
Olá,
O blog Análise Dramática vem trazer para vocês uma análise do artigo Linguística Textual: Introdução, de Leonor Lopes Fávero, realizada pelo portal Webartigos (publicada em 5 de abril de 2009). Confira:
Segundo Fávero e Kock, a Linguística Textual constitui um novo ramo da linguística que começou a desenvolver-se na década de 60, na Europa, e de modo especial, na Alemanha. Sua hipótese de trabalho consiste em tomar como unidade básica, ou seja, como objeto de investigação, não mais a palavra ou a frase, mas sim o texto, por serem os testos a forma específica de manifestação da linguagem. Nessa perspectiva a Linguística Textual ultrapassa os limites da frase e entende a linguagem como interação. Assim, justifica-se a necessidade de descrever e explicar a língua dentro de um contexto, considerando suas condições de uso.
Para tanto, a Linguística Textual emergiu a partir da Teoria da Enunciação e da teoria dos Atos de Fala. Tendo como precursor da Teoria de Enunciação Mikhail Bakhtin, ao postular a subjetividade da linguagem e considerar a fala como unidade real da língua; e os Atos de Fala foram destacados por Austin e Searle, ao entenderem a linguagem como ação. Austin acreditava que dizer alguma coisa é fazer alguma coisa. Este fazer é um ato de linguagem ou um ato de fala, e nessa perspectiva ele postulou três tipos de atos de fala: o ato locutório, o ilocutório e o perlucutório.
De acordo com Bentes, na história da constituição da Linguística textual não se pode ter com precisão uma sequência cronológica e homogênea no desenvolvimento das teorias da linguística de texto, porem, pode-se definir três momentos teóricos e bastante diferentes entre si.
A Linguística Textual apresenta como primeiro momento à análise transfrástica, que tem como escopo descrever os fenômenos sintático-semânticos, ou seja, estudar relações ocorrentes entre enunciados ou seqüências de enunciados. A análise transfrástica ainda não considerava o texto como objeto de análise, ou seja, os estudos partiam da frase para o texto.
Em um segundo momento, emergi a gramática de texto. Segundo Fávero e Koch, havia algumas causas pertinentes ao surgimento ao referido momento, tais quais: as lacunas das gramáticas de frase no tratamento de fenômenos tais como a corenferência, a pronominalização, a seleção dos artigos (definido e indefinido), a ordem das palavras no enunciado, à relação tópico-comentário, a entoação, as relações entre sentenças não ligadas por conjunções, à concordância dos tempos verbais e vários outros que só podem ser devidamente explicados em termos de texto ou, então, com referência a um contexto situacional.
Dressler apud Fávero e Koch mensiona que, nas gramáticas de frase, ficam excluídas vastas partes da morfologia, da fonologia e da lexicologia. Já a linguística textual comporta diversas manifestações: cabe à semântica do texto explicitar o que se deve entender por significação de um texto e como ela se constitui. É tarefa da pragmática do texto dizer qual é a função de um texto no contexto. A sintaxe do texto tem por encargo verificar como vem expressa sintaticamente a significação de um texto e como pode expressar o que está à sua volta. Estreitamente correlacionada à sintaxe do texto, está à fonética do texto, que, de modo análogo à fonética da frase, ocupa-se das características e dos sinais fonéticos da configuração sintática textual.
Nesse sentido, segundo Lang (1972, apud Fávero e Koch), o texto constitui um todo que é diferente da soma das partes. Sendo assim, a partir da descrição de fenômenos linguísticos inexplicáveis pelas gramáticas de frase, já que um texto não é apenas uma seqüência de frases isoladas, mas uma unidade lingüística com propriedades específicas. Desse modo, pode-se considerar que todo falante nativo possui um conhecimento do que seja um texto, bem como reconhece quando um conjunto de enunciados constitui um texto ou quando se constitui apenas em um conjunto aleatório de palavras ou sentenças. Isso posto, Charolles atribui três capacidades básicas ao falante nativo: a capacidade formativa, a transformativa e a qualitativa. Segundo Fávero e Koch apud Bentes, se todo nativo possui essa competência textual, pode-se considerar que a gramática textual tem as seguintes tarefas: verificar com que um texto seja um texto, levantar critérios para a definição de textos e diferenciar as diversas espécies de textos, ou seja, identificar os gêneros textuais.
As gramáticas de texto tiveram o mérito de estabelecer duas noções basilares para a consolidação dos estudos concernentes ao texto/discurso. A primeira é a verificação de que o texto constitui a unidade linguística mais elevada e se desdobra ou se subdivide em unidades menores, igualmente passíveis de classificação. A segunda noção básica constitui o complemento e a decorrência da primeira noção enunciada: não existe continuidade entre frase e texto, uma vez que se trata de entidades de ordem diferente e a significação do texto não constitui unicamente o somatório das partes que o compõem.
E no terceiro momento, pode-se considerar o texto como diacrônico, uma vez que, percebe-se claramente o texto como processo e não como produto, na medida em que seus conceitos se evoluem, levando-se em consideração o texto e o contexto. Assim, tem-se o conceito de texto segundo Stammerjohann apud Bentes, representando o texto como um produto pronto e acabado, "o termo texto abrange tanto textos orais quanto escritos que tenham como extensão mínima dois signos lingüísticos, um dos quais, porém, pode ser suprido pela situação, no caso de textos de uma só palavra, como "Socorro!", sendo sua extensão máxima indeterminada".
E em uma perspectiva na qual o texto considera as condições de produção ede recepção, é de certo modo abandonara ideia de que o texto é algo pronto e acabado. Nesse sentido, Koch (1997) apudBentes compreende o texto no seu próprio processo de planejamento, verbalização e construção, levando-se em consideração a produção textual como atividade verbal; como atividade verbal consciente e como uma atividade interacional.Posto isso, considera-se o texto um processo de interação entre o escritor/falante e o leitor/ouvinte, em razão de a construção de sentido do texto não está somente dentro do texto, mas, também fora dele. A Linguística Textual, nesse estágio de sua evolução, assume nitidamente uma feição interdisciplinar, dinâmica, funcional e processual, que não considera a língua como entidade autônoma ou formal (MARCUSCHI, 1998, apudGalembeck).
Portanto, atualmente o foto da textualidade vendando ênfase aos processos de organização global dos textos, que assumem importância particular as questões de ordem sócio-cognitiva, que envolvem, evidentemente, as da referenciação, inferenciação, acessamento ao conhecimento prévio etc.; o tratamento da oralidade e da relação oralidade/escrita; e o estudo dos gêneros textuais, este agora conduzido sob outras luzes, isto é, a partir da perspectiva bakhtiniana, os gêneros vêem ocupando lugar de destaque nas pesquisas sobre o texto e revelando-se hoje um terreno extremamente promissor (Koch, 2001). Vale salientar aqui, que a questão dos gêneros na perspectiva bakhtiniana não diz respeito apenas aos gêneros textuais, mas também, os gêneros do discurso.
Ainda segundo Koch (2001), a questão referente aos gêneros vai mais além, na medida em que se ver o gênero como suporte das atividades de linguagem, e define-o com base em três dimensões essenciais: 1) os conteúdos e os conhecimentos que se tornam dizíveis a partir dele; 2) os elementos das estruturas comunicativas e semióticas partilhadas pelos textos reconhecidos como pertencentes a determinado gênero; 3) as configurações específicas de unidades de linguagem, traços, principalmente, da posição enunciativa do enunciador, bem como dos conjuntos particulares de seqüências textuais e de tipos discursivos que formam sua estrutura.
Em suma, a linguística Textual tem contribuído significativamente com seu escopo voltado para o texto e a construção de sentido do mesmo, postulando assim, grandes avanços no campo da textualidade. O que era apenas um estudo da frase, passando posteriormente por um estudo da gramática de texto, na tentativa de suprir algumas lacunas não preenchidas pela corrente estruturalista e gerativista; e logo em seguida, chega-se aos conceitos de texto, que por sua vez o define não mais como algo pronto e acabado, mas como um processo em construção e, nesse sentido as contribuições tem sido ainda mais significantes, pois, hoje se tem conceitos mais globais do seja um texto, bem como dos gêneros textuais, gêneros do discurso e tipos de suportes dos gêneros textuais.
REFERENCIAS:
FÁVERO, Leonor Lopes; KOCH, Ingedore Vilaça. Linguística textual: intodução. [n.s.]. São Paulo. Cortez, 2002.
KOCH, Ingedore Vilaça.lingüística textual: quo vadis? São Paulo, v. 17, n. especial. P. 1-11, 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/. Acessoem 04. mar. 2009.
GALEMBECK, Paulo de Tarso. A lingüística textuale seus mais recentes avanços. Disponível em: <http://www.filologia.org.br/ixcnlf/5/06.htm. Acesso em 11.03.2009.
MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Ana Cristina (Orgs). Introdução a Linguística: domínios e fronteiras. 8ª ed. São Paulo: Cortez, v. 01. 2008.
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