domingo, 18 de maio de 2014

Artigo - Estratégias Pragmáticas de Processamento Textual

Olá pessoal,
 
Para ampliar nossos conhecimentos e opiniões sobre a Análise Transfrástica, trazemos o artigo de Ingedore G. Villaça Koch, intitulado Estratégias Pragmáticas de Processamento Textual. Destacamos o tópico A Noção de Contexto, confira:

Na fase inicial das pesquisas sobre o texto, que se tem denominado a fase da análise transfrástica, o contexto era visto como o entorno verbal, ou seja, o contexto. O texto era conceituado como uma seqüência ou combinação de frases, cuja unidade e “coerência” seria obtida através da reiteração dos mesmos referentes ou do uso de elementos de relação entre segmentos maiores ou menores do texto. Paralelamente, os pragmaticistas chamavam a atenção sobre a necessidade de se considerar a situação comunicativa para a atribuição de sentido a elementos textuais como os dêiticos e as expressões indicas de modo geral.
 
Com a Teoria dos Atos de Fala e a Teoria da Atividade Verbal, a Pragmática volta-se para o estudo e a descrição das ações que os usuários da língua, em situações de interlocução, realizam através da linguagem, considerada está, portanto, como atividade intencional e social, visando a determinados fins.
 
A simples incorporação dos interlocutores, porém, ainda não é suficiente, ‘à que eles se movem no interior de um tabuleiro social, que tem suas convenções, suas normas de conduta, que lhes impõe condições, lhes estabelece deveres e lhes limita a liberdade. Além disso, toda e qualquer manifestação de linguagem ocorre no interior de determinada cultura, cujas as tradições, cujos usos e costumes, cujas rotinas devem ser obedecidas e perpetuadas.
 
Finalmente, outro tipo de contexto - que é, na verdade, o mais importante – precisa ser levado em conta- o contexto cognitivo. Para que duas ou mais pessoas possam compreender-se mutuamente, é preciso que seus contextos cognitivos sejam, pelo menos, parcialmente semelhantes. Em outras palavras, seus conhecimentos enciclopédico, episódico, procedural, macro- e superestrutural ou esquemático devem ser, ao menos em parte, compartilhados (visto que é impossível duas pessoas partilharem exatamente os mesmos conhecimentos). Numa interação, cada um dos parceiros traz consigo sua bagagem cognitiva - ou seja, já é, em si mesmo, um contexto. A cada momento da interação, esse contexto é alterado, obrigando, assim, os parceiros a se ajustarem aos novos contextos que se vão originando sucessivamente (veja-se a noção de “footing”, de Goffman, 1981). Os mal-entendidos surgem, em grande parte, de pressuposições errôneas sobre o domínio de certos conhecimentos por parte do(s) interlocutor(es). Poder-se-ia, inclusive, postular que o contexto cognitivo engloba todos os demais tipos de contexto, já que tanto o contexto, como a situação comunicativa, imediata ou mediata, bem como as ações comunicativas e interacionais realizadas pelos interlocutores passam a fazer parte do domínio cognitivo de cada um deles, isto é, têm uma representação em sua memória, como acontece também com o contexto sócio-histórico-cultural.
 
Assim, ao adotarmos esta visão ampliada do contexto, estaremos reabilitando a concepção de Pragmática como o estudo da língua(gem) que leva em conta o contexto de produção.
 
Para acessar o artigo completo:

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