Olá pessoal,
Para ampliar nossos conhecimentos e opiniões sobre a Análise Transfrástica, trazemos o artigo de Ingedore G. Villaça Koch, intitulado Estratégias Pragmáticas de Processamento Textual. Destacamos o tópico A Noção de Contexto, confira:
Na fase inicial das pesquisas sobre o
texto, que se tem denominado a fase da análise transfrástica, o contexto
era visto como o entorno verbal, ou seja, o contexto. O texto era
conceituado como uma seqüência ou combinação de frases, cuja unidade e “coerência”
seria obtida através da reiteração dos mesmos referentes ou do uso de elementos
de relação entre segmentos maiores ou menores do texto. Paralelamente, os pragmaticistas
chamavam a atenção sobre a necessidade de se considerar a situação comunicativa
para a atribuição de sentido a elementos textuais como os dêiticos e as expressões
indicas de modo geral.
Com a Teoria dos Atos de Fala e a
Teoria da Atividade Verbal, a Pragmática volta-se para o estudo e a descrição
das ações que os usuários da língua, em situações de interlocução, realizam
através da linguagem, considerada está, portanto, como atividade intencional e
social, visando a determinados fins.
A simples incorporação dos
interlocutores, porém, ainda não é suficiente, ‘à que eles se movem no
interior de um tabuleiro social, que tem suas convenções, suas normas de
conduta, que lhes impõe condições, lhes estabelece deveres e lhes limita a liberdade.
Além disso, toda e qualquer manifestação de linguagem ocorre no interior de determinada
cultura, cujas as tradições, cujos usos e costumes, cujas rotinas
devem ser obedecidas e perpetuadas.
Finalmente, outro tipo de contexto -
que é, na verdade, o mais importante – precisa ser levado em conta- o contexto
cognitivo. Para que duas ou mais pessoas possam compreender-se mutuamente,
é preciso que seus contextos cognitivos sejam, pelo menos, parcialmente
semelhantes. Em outras palavras, seus conhecimentos enciclopédico, episódico,
procedural, macro- e superestrutural ou esquemático devem ser, ao menos em
parte, compartilhados (visto que é impossível duas pessoas partilharem
exatamente os mesmos conhecimentos). Numa interação, cada um dos parceiros traz
consigo sua bagagem cognitiva - ou seja, já é, em si mesmo, um contexto.
A cada momento da interação, esse contexto é alterado, obrigando, assim, os parceiros
a se ajustarem aos novos contextos que se vão originando sucessivamente (veja-se
a noção de “footing”, de Goffman, 1981). Os mal-entendidos surgem, em grande
parte, de pressuposições errôneas sobre o domínio de certos conhecimentos por parte
do(s) interlocutor(es). Poder-se-ia, inclusive, postular que o contexto
cognitivo engloba todos os demais tipos de contexto, já que tanto o contexto,
como a situação comunicativa, imediata ou mediata, bem como as ações
comunicativas e interacionais realizadas pelos interlocutores passam a fazer
parte do domínio cognitivo de cada um deles, isto é, têm uma representação em
sua memória, como acontece também com o contexto sócio-histórico-cultural.
Assim, ao adotarmos esta visão
ampliada do contexto, estaremos reabilitando a concepção de Pragmática como o
estudo da língua(gem) que leva em conta o contexto de produção.
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