Olá pessoal,
Dando continuidade as nossas postagens no blog Análise Dramática, confira trechos do artigo Reflexões sobre o sujeito social e o sujeito ideológico, escrito por Lícia Maria Bahia Heine. Para acessar o artigo na integra, clique aqui.
O sujeito na análise
transfrástica e na construção de gramáticas
As diferentes fases da LT*, apesar de
terem um ponto de vista comum e seus imbricamentos que as unem entre si,
mencionando-se, a título de exemplo, o fato de debruçarem-se sobre o texto,
apresentam naturalmente traços a elas específicos que permitem o seu reconhecimento
enquanto fases distintas, embora devam, necessariamente, ser consideradas
dentro de um continuum que evita um olhar polarizado entre as mesmas. Na
verdade, elas revelam, principalmente, reflexões acuradas acerca do seu objeto
de estudo. É evidente que, ao focalizá-las, poder-se-ia ressaltar aspectos
substantivos sobre cada uma delas, mas, neste artigo, o foco recai sobre a
entidade “sujeito”, depreendido, em especial, a partir da concepção de língua,
que lhe é subjacente.
Ao longo do seu desenvolvimento, o
texto vem recebendo diferentes tratamentos: na análise transfrástica e na
construção de gramáticas, as duas primeiras fases da LT, o texto, de um modo
geral, é tido simplesmente como a unidade linguística mais alta, superior à
frase (Koch 2006:5), apenas um mero produto de codificação, com um foco de análise
nos aspectos formais. Este conceito de texto alicerça-se “na concepção de
língua, vista como um código, ou seja, como um conjunto de signos que se
combinam segundo regras e que é capaz de transmitir uma mensagem, informações
de um emissor a um receptor” (Travaglia 2001:21-23), e que, por outro lado,
corresponde à concepção de sujeito assujeitado, mas um sujeito assujeitado ao
sistema linguístico; por isso, tem-se um sujeito que não é livre, sendo preso e
limitado ao código linguístico (Koch 2006:10). Daí a explicação para o
tratamento da compreensão textual em determinados livros didáticos, que ainda
se pautam nessa concepção de língua, restringir-se a “exercícios que não passam
de uma descomprometida atividade de copiação” (Marcuschi 1996:63-82),
postulando, destarte, sem levar em conta a heterogeneidade alunos-leitores, uma
interpretação homogênea, pois o sentido esgota-se nas estruturas linguísticas,
realizadas numa folha de papel.
Vale a pena ressaltar que, “a linguística
textual, originalmente, se formou para tratar melhor de certos problemas que já
tinham aparecido na chamada linguística oracional” (Beaugrande 1997), ou seja,
os seus pesquisadores pretendiam desenvolver uma gramática transfrástica que desse
conta, por exemplo, da coesão como um fenômeno materializado numa folha de
papel, voltada mais precisamente para as relações anafóricas de cunho
gramatical. Esse procedimento de análise não podia ser diferente, porque o
texto era interpretado ora como “a unidade que ocupa, na hierarquia do sistema
linguístico, o próximo grau superior à oração”, ora como “uma sequência bem
formada de orações bem formadas” (Beaugrande 1997), respectivamente, no
estruturalismo e no gerativismo; lastro teórico que impelia forçosamente a
excluir o sujeito enquanto entidade co-autora, por exemplo, do processo de
construção do sentido.
*LT se refere a Linguagem Textual.
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